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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Martins Napoleão


Benedito Martins Napoleão do Rego nasceu no dia 17 de Março de 1903 no município de União(PI). Filho de Artur Napoleão do Rego e Olímpia Martins do Rego. Foi professor, poeta, jornalista e tradutor. Formado em Direito, também foi Inspetor Federal de Ensino, Secretário Geral do Estado, Interventor Federal, Consultor Jurídico do Banco do Brasil e advogado da antiga Superintendência da moeda e do crédito.
Presidiu a Academia Piauiense de Letras. A sua matriz era a literatura inglesa (Kids, Coleride), no qual ele se inspirava muito. Por conta de seu contorno filosófico e de seu plano ideológico, poucos conseguiam penetrar em sua literatura. O grandioso Martins Napoleão viveu parte de sua infância e adolecência aqui no Piauí.

"Esses valores da terra em sua poesia é o idílico que está presente. Às imagens que guardou de sua União campestre, da sua União cheia de natureza. Ele faz com que isso jorre de forma tão romântica, tão intensa que você não consegue ver nada de banal nisso, mas tudo de grandioso. Penso que a família é que dá origem a religiosidade, como já disse, e essas imagens retiradas da infância e da parte da adolescência que fazem grandiosa a sua poesia" - afirma Herculano Moraes.
Clique no link abaixo e veja uma entrevista com Herculano Moraes, a respeito do injustiçado unionense Martins Napoleão: http://www.portalentretextos.com.br/dicionario-de-escritores/martins-napoleao,49.html

Em 30 de Abril de 1981, falece no Rio de Janeiro o ilustre e grandioso Benedito Martins Napoleão do Rego. Ele deixou grandes obras, entre as várias, destaca-se como as principais,

O Cancioneiro Geral, 1981, reúne sua obra poética, composta, entre outros, por Copa de Ébano, 1927; Poemas da Terra Selvagem, 1940; Caminho da Vida e da Morte, 1941 e Prisioneiro do Mundo, 1953. Faleceu no Rio de Janeiro em 1981.

Poemas da Terra Selvagem
1940

Prelúdio

As árvores aqui são tão altas
que as estrelas cansadas dormem nos seus galhos.

E há tanto silêncio nos seus vales
que o sol da tarde pára, admirado, em cima das montanhas.

Os pássaros têm um canto tão bonito
que a madrugada nasce mais cedo para os ouvir.
E a noite é tão clara
que as almas pensam que seja um lago de se banharem.

Há tanta riqueza
que as águas mortas dos pauis brilham de noite
fabulosamente:
é um delírio tão grande como o da febre dessas águas.

A luz, de tão intensa,
atravessa a alma dos meus patrícios:
é por isso que há tantos poetas
na minha terra.
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O Amor

Aqui, o amor
é brutal e violento
como o sol do meio-dia
na posse plena da terra.

É como o sol que seca as fontes.
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Caminhos da Vida e da Morte
1941

Cabem muitos amores

Em cada coração cabem muitos amores,
como todas as cores cabem em nossos olhos
e todos os sons em nossos ouvidos.

Para nós, uma cor e um som apenas
não seriam, com certeza, a vida
mas a monotonia melancólica da eternidade.
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Versículos de Salomão

Eu pensava nas coisas eternas:
na essência da verdade e da beleza.

Eu pensava nas coisas eternas,
quando ofereceste a boca matinal
à sede do meu beijo.

(Como posso, Senhor; recusar, sem soberba,
o fruto macio e orvalhado
que a árvore dadivosa atirou aos meus pés?...)
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Última noite de festa

Ao fim de tudo, na hora serena,
se apagarão os meus sentidos
como lâmpadas de festa.

As sombras entrarão
e a casa ficará vazia...
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3 comentários:

Angela Braz disse...

Realmente, meu avô era um mestre! Obrigado por divulgar sua obra. Abraços,

MELLO disse...

Trabalhei com ele no Banco do Brasil aqui no RJ de 1974 a 1978. Muitas recordações.

MELLO disse...

Trabalhei com ele no Banco do Brasil aqui no RJ de 1974 a 1978. Muitas recordações.